PROGRAMAÇÃO
Os encontros dos dias 16 e 17 de Setembro baseiam-se no acrónimo FUBU – For Us By Us e serão direcionados para as pessoas negras das comunidades artísticas em Portugal. Um dos objetivos do Terreiro é compreender as dinâmicas circulares que permeiam o passado, o presente e o futuro, inspiradas pelo princípio ancestral de Sankofa, que nos convida a olhar para trás para avançar com sabedoria.
O programa da tarde do dia 17 de Setembro, é aberto ao público em geral. O intuito é que este momento sirva de ponto de partida para construção de um diálogo que combata os paradigmas que perpetuam o patriarcado, o racismo e a cultura de padrões que ainda fazem parte do DNA da população branca portuguesa.
(Programação sujeita a alterações)
10h00 – 10h30 Zuela | Boas-Vindas
10h30 – 11h00 Ritual da Água e Introdução à Manta de Memórias // Com Iris De Brito
11h00 – 13h30 Workshop de Afrofuturismo // Com Dori Nigro e Melissa Rodrigues
13h30 – 15h30 Almoço Comunal
15h30 – 16h30 A importância da diversidade cultural na formação da dança // Com Iris De Brito e Ângela Guerreiro
16h30 – 17h00 Pausa
17h00 – 18h00 Sessão de filmes // Com Maíra Zenun
18h00 – 18h30 Pausa & Poesia
18h30 – 19h30 Reflexão, Incorporação & Partilha // Com Ana Tica
19h30 – 20h00 Ritual da Manta de Memórias
20h00 Encerramento
10h00 – 10h30 Zuela | Boas-Vindas
10h30 – 12h00 Abraça o teu ADN, Muda a tua Mente // com Ãngela Guerreiro
12h00 – 12h30 Pausa & Nutrição do Ori
12h30 – 14h30 Almoço Comunal
14h30 – 15h30 Performance “A Kalunga de Ossain” // Com tony omolu e Coletivo Afrontosas
15h30 – 16h00 Zuela | Boas-Vindas
16h00 – 17h30 Arte, Unidade e Luta // Com Raquel Lima
17h30 – 18h00 Pausa
18h00 – 20h00 Terreiro: Laboratório de Rituais
20h00 – 21h30 Cocktail + DJ Set
22h00 Encerramento
Descrição dos Workshops e sessões de cinema

16 de setembro // 15h30 – 16h30 // Com Iris De Brito
O ensino da dança necessita ser culturalmente relevante. A abordagem exclusiva e hierárquica da educação da dança é eurocêntrica, e, cria um impacto negativo no desenvolvimento e representatividade do movimento da diáspora africana ao nível social, criativo e profissional. Este workshop será feito por meio de uma apresentação “slide-show”, participação do público e conversa informal.

16 de setembro // 17h00 – 18h00 // Curadoria Nêga Filmes
O cinema negro é uma arma, capaz de desmontar imaginários laudalentos, enferrujados e persistentes. Mas é também acalanto, ao registrar a beleza das nossas vivências, das nossas resistências e insurgências. Neste momento do TERREIRO, vamos ter a oportunidade de assistir obras que abraçam a existência negra, em sua plenitude e potência: porque se ardemos em dor ou suamos em amor, não importa, criar é sempre uma forma de cura e fortalecimento. A curadoria propõe para este momento, uma pausa na rotina do concreto, para encararmos o onírico e o desejo, em imagens, de viver sem medos e sem traumas. David Amado, Luan Okun, Maíra Zenun e Petra Preta nos ofertam a chance de ouvir, sentir e ver, um pouco mais sobre os outros mundos que também nos cercam, a partir de seus corpos-poema e de suas vidas-cinema. Boa sessão.
Informações sobre os filmes
// VELVETEEN – DAVID AMADO
“O desejo de ser visto e aceite como realmente somos é um dos nossos desejos humanos mais profundos e é o tema central do filme de dança “Velveteen”. Inspirado no livro “The Velveteen Rabbit” de Margery Williams, “Velveteen” narra a jornada de um homem negro queer de ódio de si mesmo e repressão para autodescoberta e aceitação. Com dança e poesia, acompanhamos nosso protagonista enquanto ele navega por traumas ancestrais, racismo e homofobia para se curar, encontrar comunidade e viver uma vida autêntica, livre das expectativas dos outros.”
Realização, Direção de Arte, Coreógrafo e Produtor Executivo: David J. Amado. Produtor Musical e Compositor: Xu Lopes. Escrito por Apolo de Carvalho, Jahshua e David J. Amado. Participação: Apolo de Carvalho, David J. Amado, Lucas Jetzt, Augusto Amado, Marcos Desiderio, Gerson Sanca, Lukano Mpasy, Igor Silva, Maximus Rivera Rios, Felicia Hunter. Diretor de Fotografia, Edição e Montagem: Wilson Sanches. Arte Projetada: Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD). Figurino Vogue: Francisco Felix. Acessórios Adicionais Vogue: CYTO. Trilha original: Xu Lopes e David Amado. Composição, arranjos e piano: André Barros. Violno: Veronika Taraban. Cello: Fernando Costa. Mix e Masterização de “Blossom”: Marco Silva. Gravação ATLÂNTICO BLUE STUDIOS. Legendas: Miguel Antunes. Agradecimentos Especiais: Slaven Tadic, Carlos Cardoso, Jessica L. Jonhson, Isabella Cora, Di Candido.Duração 32 min.
// CU.R. ANDEIRO – LUAN OKUN
Sinopse – “O CU QUE ANDA SE MOVIMENTA.”
Concepção e realização: Luan Okun; Performeers: Luan Okun e Joni Ricos; Art 3D: YunaTurva; Arte Digital: Bruno Marcitelli; Imagens: Maíra Zenun e Luísa Melo; Edição e Montagem: NÊGA FILMES; Edição Sonora: Gustavo Juventino; Agradecimentos especiais: Projeto VISTO PERMANENTE, Associação Casa T Lisboa; Grupo EducaR; Marcos Aganju; Maíra Zenun; Luísa Melo, Kopal, Gustavo Juventino, Bruno Marcitelli, Bruxa da Raba, Fayska. Vídeo performance realizada para o Projeto Fricções: Palcos da Dança, SESC PINHEIROS. Duração: 11:30.
// QUANDO A NOITE CAI – MAÍRA ZENUN
Sinopse – Este é um filme poema, uma performance videografada, um registro ligeiro, uma poesia gravada, em imagens, sons e palavras. Feito durante o lockdown instaurado em Portugal entre janeiro e março de 2021, retrata a rotina de uma mãe com sua filha de dois anos, ambas trancafiadas em casa. O filme mostra que, para além da redoma e da família, do lado de fora, o tempo não para, as estruturas não afrouxam e as heranças permanecem, anexadas. Em fronteiras inventadas, cada vez mais solidificadas. CÂMERA, MONTAGEM, LOCUÇÃO E POEMA: Maíra Zenun. Duração:3 min.30 seg.
// MANCHÊ BOM – PETRA PRETA
Sinopse – “Vou repetir-me:
Estar na margem é fazer parte de um todo que não te reconhece como parte do corpo principal. Implica uma travessia repetitiva de fora para dentro. E com o entrar, vem a obrigação de sair. De lá para cá, resistir à violência. De cá para lá, resistir à violência.
Tabanka é foi a proposta de um espaço seguro e mutável, entre a proteção e a cura.
E este é um caminho para lá chegar. Um mapa ao contrário, onde se devolvem tesouros. Porque isto é sobre inverter percursos e a tentativa de reclamar o espaço do sonho.
* + uma nota para lembrar que o descanso é também uma medida de liberdade” (Petra.Preta)
Realização, performance, texto e pintura Petra.Preta Fotografia Saint. / Jaylson da Graça Edição e montagem Nêga Filmes Paisagem sonora Petra.Preta e Maíra Zenun Edição de áudio Sara Morais Graffiti Miratejo – autorxs desconhecidxs Coprodução Teatro do Bairro Alto Agradecimentos Lisa Monteiro e Fernando da Graça, Diogo Simões, João Reis Moreira, Maíra Zenun, Vera Marques, à todas do Hangar (Centro de Investigação Artística) e O Camões Preto. Esta é obra faz parte do projeto Primeiro Rascunho/TBA. Duração: 11:50.
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O Coletivo Artístico Nêga Filmes r-existe a partir do trabalho de mulheres negras, que fazem e pensam arte desde a perspectiva de suas próprias humanidades negras no mundo. A iniciativa surge em 2015, a partir da produção e lançamento do curta experimental “A CIDADE E O AMOR”, idealizado por Luzia Gomes e Maíra Zenun. Desde então, nosso trabalho tem se expandido cada vez mais, em matéria de capital cultural e humano, vindo a funcionar como uma espécie de plataforma de criação artística e programação cultural, voltada para os suportes das artes visuais, cinema, curadoria, educação, fotografia, poesia e performance. Nós temos nos reunido a muitas pessoas, grupos e instituições, de diversos países, pela construção e execução de diferentes processos criativos. Nossos trabalhos agregam a enorme corrente de pensamento voltada para a reflexão sobre/a partir/com/para as nossas próprias vivências negras, e muitas vezes estão relacionadas a quem somos e onde estamos, diante de tantas heranças coloniais. Como produtoras culturais podemos dizer, portanto, que o nosso objetivo é poético, educativo, estético e político.”
16 de setembro // 15h30 – 16h30 // Com Ana Tica
Sinopse: “Reflexão, Incorporação & Partilha” tem como objetivo reconhecer vivências do Terreiro – Laboratório de Rituais, potencializando-as para promover o seu assentamento e a elevação do coletivo. Este será um momento de escuta, partilha e integração de ideias e intenções para os nossos propósitos futuros. O resultado será a construção coletiva de uma instalação simbólica, através das contribuições individuais, que fortaleça a conexão entre a comunidade e represente os nossos caminhos e encruzilhadas.

Ana Tica // No verão quente de ’79 em Lisboa, D. Maria traz ao mundo Ana. E Ana fez-se Tica. Com formação em Animação Sociocultural e uma pós-graduação em Gestão de Organizações de Economia Social, é apaixonada pelo Desenvolvimento Comunitário. Encerrada desde cedo, na sua pertença étnico-racial, descobriu-se negra, e desde 2001, tem tido uma participação ativa em dinâmicas coletivas do movimento negro. As suas práticas e fazeres artísticos para além de a posicionarem como agente de transformação social, também a moldaram como produtora cultural.
17 de setembro // 10h00 – 12h00 // Com Ângela Guerreiro
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Ângela Guerreiro, é afrodescendente, mãe, artista independente, mentora, curador
17 de setembro // 15h00 – 16h00 // Com tony omolu e Coletivo Afrontosas

Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão
Vou baixar no seu terreiro
(Yaya Massemba: Jose Carlos Capinam / Roberto Mendes)
Neste roteiro Ossayn transporta um manto, produzido com as vestimentas de todos os corpos que venceram ou não as travessias, representa toda a “naturezidade” ele é a kalunga que envolve o seu corpo e é por ele transportada. Este transporte atravessou o mar e aterrou em novas matas e florestas. Transporta os segredos e magias da natureza. É neste manto terra planta que ossayn dança e profere as palavras que despertam e sangue verde das plantas. E assim proporciona a manutenção da sabedoria ancestral da cura e da prosperidade. Em novas terras o manto natureza iorubano integra-se e torna-se kalunga bantu. ossayn dança na kalunga.
BREVE EXPLICAÇÃO //
O mar é um território de recolhimento, acolhimento que possibilita a passagem e o retorno à terra deixada, o mar é onde a vida termina e onde a vida começa. Para a cultura religiosa afrobrasileira o mar é um território espiritual, religioso. kalunga grande é o nome que o mar recebe no brasil. Este nome, que é conceito e referência de organização cosmogônica e cultural, é advindo de um grupo étnico cultural bantu especialmente do povo bacongo para o qual é na kalunga onde tudo morre, germina e nasce e assim mantém o ciclo da vida. As florestas são o território de Ossayn uma divindade iorubana. Está relacionado ao poder de todos os elementos da natureza, raízes, troncos, sementes, folhas. Possui o conhecimento profundo de cada elemento e de como eles podem ser combinados para surtirem os efeitos desejados.
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tony omolu // Iniciou doutoramento em Educação artística na Universidade de Lisboa. É Mestre em Artes onde desenvolveu investigação sobre a dramaturgia da dança dos orixás do mestre augusto omolu, pela UFU/MG, pós-graduação em interpretação teatral UFU/MG, licenciatura em filosofia UFU/MG. Professora e Diretora artística do Programa de Extensão e Cultura – Corpoencena (artes cênicas), Formação e Experiência Estética: produção artístico-cultural e pedagógica – UFG/GO. Ministrou a disciplina de dramaturgia da dança dos orixás na faculdade de teatro da – UFU/MG. Dançou e coreografou na Cia. de dança-afro da cidade de Uberlândia, Dançou e coreografou na Cia Strondum de dança contemporânea, atuou e encenou na Cia de teatro Diferente, dançou no grupo de congado Marinheiro de São Benedito, dançou na escola de samba Tabajara. Atuou como arte-educadora em diversos projetos socioculturais com crianças e adolescentes. É pai pequeno de Umbanda no terreiro Ilê Asé Osun Byy. Em Portugal criou a performance brincadeira cénica com as crianças do bairro da Jamaica, apresentada no MAAT , concebeu, encenou e apresentou as performances Escada, Iabás e em cor parda. Desenvolve os trabalhos apoiada pelo CEM centro em movimento. Membre fundadora do Coletivo Afrontosas
Como artista, tony omolu navega nas águas do teatro, e das danças de matriz africana do Brasil e da dança contemporânea. Artivista cuír e anti-racista cria e produz suas performances enquanto instrumentos de ações ético-estético-políticas. Apresenta seu corpe em estado de dilatação que se expande em energia psicofísica e interpretativa. Dança e teatro confluem nas experiências do seu bios-cénico que desvela e apresenta um fenómeno advindo da fronteira entre o transe e a representação. Atravessada pela dramaturgia da Dança dos Orixás, técnica apreendida com o Mestre Augusto Omolu, tony elabora e produz as criações sempre inseminada pelas energias ancestrais. Em contínua busca de transcender uma representação e transpassar uma interpretação alva-uni-continental. Elaborar e conviver no entre das estéticas transatlânticas. Arte cénica de ébano expressiva e tridimensional que é canto/palavra, dança música. Corpe cuír de ébano expressivo. IG: @tony.omulu
Coletivo Afrontosas
Associação Cultural nascida a partir de encontros de pessoas negras cuír ligadas ao mundo das artes, da educação e da celebração motivadas pela ausência de projetos que reflitam sobre a importância da negritude cuír da diáspora em Portugal em confluência com os trânsitos migratórios da América Latina, África e outras regiões. www.afrontosas.pt
Ficha artística:
Concepção e criação: tony omolu
Encenação e dramaturgia: tony omolu
Figurinos/ Cenografia: Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD)
Designer de som: DIDI
Luz: Equipe Alkantara
Produção: Coletivo Afrontosas
17 de setembro // 16h00 – 17h30 // Com Raquel Lima
“Unidade e Luta” é um apelo histórico do líder revolucionário Amílcar Cabral no contexto das lutas de libertação africanas. Que dimensões ganha essa expressão, somada às Artes, e no âmbito específico da luta antirracista e da afirmação de Negritude em Portugal e na Europa, hoje? Que pessoas, lugares, tempos, pensamentos, práticas, manifestações e imaginários se mobilizam em torno desse mote? Este workshop propõe exercícios e reflexões para a compreensão da importância do trabalho coletivo e político no seio das comunidades artísticas negras, desde o reconhecimento da importância das suas criações para a expansão da concepção, história, ensino, coleção e arquivo de arte contemporânea. Assim como para a descolonização das artes, a reivindicação de maior representatividade negra no sector artístico, a elaboração de políticas de reparação, a democratização do acesso às artes e a construção autónoma de zonas libertadas.
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Raquel Lima // Poeta, artista transdisciplinar, arte-educadora e investigadora de Estudos Pós-Coloniais, focada em oratura, escravatura e movimentos afro diaspóricos. Estagiou no Festival Panorama de Dança do Rio de Janeiro e na Associação L’A/Rachid Ouramdane em Paris. Em Portugal trabalhou na direção artística, produção executiva, comunicação e assessoria de imprensa de diversas estruturas de teatro, performance, cinema e dança contemporânea. Foi convidada como palestrante para a Bienal de Veneza no evento Loophole of Retreat (2022), como keynote speaker no Congresso Mundo de Mulheres em Moçambique (2022) e como artista da Bienal de São Paulo (2023). Publicou o livro Ingenuidade Inocência Ignorância (2019), e co-fundou a UNA – União Negra das Artes (2021). As suas ações estão na encruzilhada entre arte, academia e ativismo.
Foto: Marta Pinto Machado
17 de setembro // 18h00 – 20h00
Em atualização.