É preciso desacomodar. O pensamento em torno deste manual surge da desacomodação.

Pensar num manual antirracista no diálogo entre a arte e educação traz-nos a necessidade da radicalização da esperança, enquanto utopia de que é preciso cooperar, reimaginar e agir. De que forma cooperamos para tornar as mudanças que queremos um caminho possível e quebrar as barreiras da desesperança? O caráter desesperançoso, fatalista, antiutópico nos coloca numa posição de acomodação (Freire, 1996).

É preciso desacomodar. O pensamento em torno deste manual surge da desacomodação. A intenção de fazer uma manual nasce concomitante ao nascimento da União Negra das Artes, mas, sobretudo, aliado a uma luta antirracista e ao ativismo negro do passado e presente em Portugal. Este manual busca ser, antes de tudo, um objeto esperançoso, antirracista, crítico e mediador de pontes entre a arte e a educação

HISTÓRICO

Em 2023, a partir da metáfora da ponte elaborada por Franz Fanon em “Os condenados da terra” (1968), as primeiras linhas deste manual foram apresentadas na Culturgest a um público alargado das áreas da arte e da educação e não só. “Linhas Antirracistas para a arte/educação: tecendo passados, presentes e futuros” foi um workshop mediado por Dori Nigro e Melissa Rodrigues, no contexto da conferência “reformular a autoridade e autoria nas artes”, sob curadoria de Raquel Lima.

É preciso relembrar continuamente a assertiva de Fanon que nos ensina que “se a construção de uma ponte não enriquece a consciência de quem nela trabalha, então a ponte não deve ser construída”. E ter a flecha apontada para velhas e novas perguntas. Tecer novas pontes. Descolonizar esperanças.

Em 2024 retomamos as perguntas para refletirmos sobre a práxis que nos dá esperança para caminhar. “Caminhanti é caminho Caminho di caminhanti: rotas de cuidado na prática das artes performativas em Portugal” pretendeu problematizar a ideia do cuidado e a da sua falta. Entendemos o cuidado de forma holística e polidimensional. Cuidar vai muito além de uma relação familiar ou de práticas paliativas. Pensar um manual é cuidar.

PRÓXIMA AÇÃO

A 20 de setembro de 2025, depois de dois workshops da UNA – União Negra das Artes em colaboração com a Culturgest no âmbito do projeto europeu Common Stories, decorre um terceiro encontro Manual Antirracista para as Artes e Educação: Que Caminhos Tecemos e que Rumos Faltam Cuidar? para a conclusão deste ciclo e que permite a construção pragmática do Manual Antirracista para as Artes e Educação (MAAE).

Partindo da Pedagogia da Autonomia e da participação ativa do público, pretende-se com este momento fortalecer um compromisso antirracista e compor uma rede concreta de apoio mútuo, facilitando a elaboração coletiva de conteúdos e a sustentabilidade financeira do MAAE.

Não há a intenção de que este manual se coloque como caminho unilateral e/ou que substitua ou reescreva outros manuais sejam escolares ou não, mas que antes ele possa ser uma ferramenta concreta e possível para uma práxis comprometida com o antirracismo, na formação de professores e no âmbito das práticas artísticas, das curadorias e das gestões artístico-culturais.

Pretendemos que este manual seja um objeto de fácil acesso, que seja capaz de proporcionar a curiosidade, a ludicidade e o reconhecimento dos abismos e lacunas para a edificação de novas pontes.

De alguma forma carregamos lembranças de experiências autoritárias que censuraram qualquer questionamento, criticidade ou corporização. É preciso, pois, romper com o autoritarismo que castra a autonomia e que ganha expressividade nos tempos atuais e que se reproduz no sector educativo e cultural.

bell hooks em: “ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade” crítica um espaço, seja ele educativo ou não, assente numa atuação autoritária que aniquila o bem-estar espiritual e o cuidado da alma, sustentando a cisão entre a mente e o corpo.

Essa divisão faz com que separamos as nossas existências das nossas experiências profissionais. É através da junção, nunca da separação, que tecemos cuidados e conhecimentos como prática emancipatória. Urge pensar numa pedagogia/andragogia antirracista que abrace e valorize alteridades.

É este manual um sonho, utopia, possível.

Doa para a UNA e apoia o nosso trabalho.

IBAN: PT50 0033 0000 4568 1655 2040 5

(Ao fazer a transferência bancária coloque, por favor, no descritivo “Manual” ou “MAAE”).

 

Juntes, podemos construir um futuro mais justo e representativo para todes!

Apoie a produção do manual antirracista para as artes e educação

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